sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fatos históricos do dia 25 de abril

Criação da ONU

No dia 25 de abril de 1945, representantes de 47 países criam, na Conferência de San Francisco (EUA), a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela foi resultado do esforço de visionários que buscavam a mundo capaz de resolver seus conflitos por outros caminhos que não o da guerra.

1507 - É publicada a obra de Gaultier Lud Cosmographiae Introductio. É a primeira vez que se propõe dar o nome de "América" às terras decobertas por Cristóvão Colombo.
1534 - Pedro de Alvarado termina a conquista da Guatemala.
1540 - Os espanhóis fundam a cidade peruana de Ayacucho.
1595 - Morre Torcuato Tasso, poeta italiano.
1599 - Nasce Oliver Cromwell, revolucionário e ditador inglês.
1675 - Morre Pierre Perrin, criador da ópera francesa.
1844 - É firmado, em Madri, um tratado de amizade entre Espanha e Chile, em que a Espanha reconhece a independência do país americano.
1852 - Nasce Leopoldo Alas, o Clarín, crítico espanhol.
1875 - Nasce Guillermo Marconi, engenheiro e físico italiano, inventor do rádio, vencedor do Prêmio Nobel de 1909.
1898 - Guerra de Cuba: primeira ação naval espanhola contra os Estados Unidos, que declaram guerra contra a Espanha.
1900 - Nasce Wolfgang Pauli, físico austríaco, vencedor do Prêmio Nobel 1945.
1911 - Morre Emilio Salgari, novelista italiano.
1915 - Primeira Guerra Mundial: franceses e ingleses desembarcan em Dardanelos (Império Otomano, atual Turquia).
1918 - Nasce Ella Fitzgerald, cantora norte-americana de jazz.
1919 - O alemão Walter Gropius funda, em Weimar, a Escola de Arquitetura e Artes Aplicadas Bauhaus, origem da corrente artística que dominou o período entre-guerras.
1921 - Nasce Karel Christian Appel, pintor expressionista holandês.
1927 - Nasce Corín Tellado, escritora espanhola de novelas.
1930 - Nasce Paul Mazurski, diretor norte-americano de cinema.
1936 - O Congresso da Venezuela elege como presidente da República o general Eleazar López Contreras.
1940 - Nasce James Albert (Al) Pacino, ator norte-americano.
1940 - Segunda Guerra Mundial: as tropas alemãs chegam ao porto de Atenas.
1941 - Nasce Bertrand Tavernier, diretor francês de cinema.
1945 - Representantes de 47 países criam, em San Francisco (EUA), a Organização das Nações Unidas (ONU).
1953 - Os cientistas James Watson (norte-americano) e Francis Crick (britânico) anunciam na revista Nature o descobrimento da estrutura do DNA.
1959 - É aberta a navegação do canal de São Lorenzo, que une os Grandes Lagos com o Atlântico.
1969 - Entra em vigor o chamado Tratado de Tlatelolco, que proíbe as armas nucleares na América Latina.
1971 - É proclamada a República de Bangladesh.

1974 - Revolução dos Cravos, também conhecida como queda do regime de salazar, em Portugal.

1980 - Morre Alejo Carpentier, escritor e músico cubano.
1982 - Israel devolve ao Egito o controle da península de Sinai após 15 anos de ocupação, em cumprimento dos tratados de paz de 1979 entre os países.
1986 - Um encontro, em Damasco, entre Hafez el Assad e Yasser Arafat ratifica a reconciliação entre a Síria e a OLP.
1989 - A URSS inicia a retirada parcial de suas forças na Hungria.
1990 - Morre Dexter Gordon, músico de jazz e ator norte-americano.
1990 - Os astronautas da Discovery colocam em órbita o telescópio Hubble.
1993 - Boris Yeltsin recebe amplo respaldo a sua presidência e a sua política econômica e social do país.
1995 - Morre Ginger Rogers, atriz e bailarina norte-americana.
1996 - Os 34 países da Organização dos Estados Americanos (OEA) declaram guerra total contra o terrorismo e aprovam um plano de ação para combatê-lo.
2001 - O ex-presidente filipino Joseph Estrada é detido em sua casa, três meses depois de abandonar o cargo, acusado de roubar dinheiro público.

Fonte: Terra

Pingüim 'careca' ganha jaqueta para se proteger do frio

Pierre tinha 25 anos, enquanto a maioria dos animais da espécie não passa dos 20.

A roupa nova recuperou suas penas e sua auto-estima.

A vida não estava nada fácil para o pingüim Pierre, um senhor de 25 anos de idade. Dia após dia, ele ficava cada vez mais careca, suas belas penas sendo trocadas por uma vergonhosa pele cor-de-rosa. Nadar, coisa que fazia desde pequeno, foi se tornando insuportável. Logo, veio a depressão e Pierre passou a se isolar, tremendo, sozinho no tanque, longe da companhia dos amigos. Mas, logo, tudo mudou. Um grupo de biólogos americanos se comoveu com o bichinho e mandou fazer, sob medida, uma bela jaqueta para protegê-lo do frio. Com a roupa nova, Pierre voltou a ser o mesmo: suas penas cresceram de novo (até mesmo aquelas que não eram cobertas pelo tecido), ele voltou a nadar e agora até já exibe a personalidade de macho arrogante que tinha antes.

Bióloga apresenta Pierre e seu novo visual

O pingüim antes da jaqueta

A jaqueta do pingüim é feita do mesmo material usado por surfistas, o tecido impermeável que os mantém aquecidos mesmo nas ondas mais geladas. Ela foi feita e refeita diversas vezes até vestir perfeitamente Pierre, que já vive cinco anos a mais do que a média dos pingüins.

A equipe da Academia de Ciências da Califórnia tinha medo, no entanto, que os demais animais do tanque não aceitassem o novo visual do amigo. Mas isso não foi um problema. Os pingüins receberam Pierre e sua jaqueta muito bem e ele voltou ao convívio normal do grupo.

Fontes: G1 / AP

domingo, 20 de abril de 2008

Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa arqueológica

Escavações e inscrições mostram que povo de Israel se originou dentro da Palestina.

História sobre libertação do Egito teria influência de interesses políticos posteriores.

A saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original.

É verdade que as opiniões dos pesquisadores divergem sobre os detalhes específicos do Êxodo (o livro bíblico que relata a libertação dos israelitas do Egito) que podem ter tido uma origem em acontecimentos reais. Para quase todos, no entanto, a narrativa bíblica, mesmo quando reflete fatos históricos, exagera um bocado, apresentando um cenário grandioso para ressaltar seus objetivos teológicos e políticos.

Moisés com os Dez Mandamentos (Foto: Reprodução)

Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), resume a situação: "O Moisés da Bíblia é claramente 'construído'. Pode até ter existido um Moisés lá no passado que inspirou o dos textos, mas nada sabemos dele com segurança. Nas minhas aulas de história de Israel, começo com geografia e passo para as origens de Israel em Canaã [antigo nome da Palestina], não trato mais de patriarcas e nem do Êxodo".

Data-limite

Os pesquisadores dispõem há muitos anos do que parece ser a data-limite para o fim do Êxodo. Trata-se de uma estela (uma espécie de coluna de pedra) erigida pelo faraó Merneptah pouco antes do ano 1200 a.C. A chamada estela de Merneptah registra uma série de supostas vitórias do soberano egípcio sobre territórios vizinhos, entre eles os de Canaã. E o povo de Moisés é mencionado laconicamente: "Israel está destruído, sua semente não existe mais". Não se diz quem liderava Israel nem que regiões eram abrangidas por seu território. Trata-se da mais antiga menção aos ancestrais dos judeus fora da Bíblia.

Inscrição em hieróglifos feita sob ordem do faraó Merneptah pouco antes de 1200 a.C. Esse trecho do texto diz: "Israel está destruído, sua semente não existe mais" (Foto: Reprodução)

Se a saída dos israelitas do Egito ocorreu, ela precisaria ter acontecido antes disso. A Bíblia relata que, cerca de 400 anos antes de Moisés, os ancestrais do povo de Israel, liderados pelo patriarca Jacó, deixaram seu lar na Palestina e se estabeleceram no norte do Egito, junto à parte leste da foz do rio Nilo. Os egípcios teriam permitido esse assentamento porque, na época, o mais importante funcionário do faraó era José, filho de Jacó. Décadas mais tarde, um novo faraó teria ficado insatisfeito com o crescimento populacional dos descendentes do patriarca e os transformado em escravos.

Por algum tempo, arqueólogos e historiadores acharam que haviam identificado evidências em favor dos elementos básicos dessa trama. É que, por volta do ano 1700 a.C., a região da foz do Nilo foi dominada pelos chamados hicsos, uma dinastia de soberanos originários de Canaã e de etnia semita, tal como os israelitas. (O nome "Jacó", muito comum na época, está até registrado entre nobres hicsos.)

Pouco mais de um século mais tarde, os egípcios expulsaram a dinastia estrangeira de suas terras. Isso mataria dois coelhos com uma cajadada só. Explicaria a ascensão meteórica de José na burocracia egípcia, graças à proximidade étnica com os hicsos, e também por que seus descendentes foram escravizados - eles teriam sido associados à ocupação estrangeira no Egito.

O problema com a idéia, no entanto, é que não há nenhuma menção aos israelitas ou a José e sua família em documentos egípcios ou de outros reinos do Oriente Médio nessa época. Pior ainda, até hoje não foi encontrado nenhum sítio arqueológico no Sinai que pudesse ser associado aos 40 anos que os israelitas teriam passado no deserto depois de deixar o Egito.

Os textos egípcios também não falam em nenhum momento da fuga liderada por Moisés, se é que ela ocorreu. "Isso é um problema grave. O argumento de que os egípcios não registravam derrotas é falso: a saída de um pequeno grupo nem era um revés, e eles relatavam derrotas sim, mesmo quando diziam que tinha sido um empate", afirma Airton José da Silva.

O mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, é tradicionalmente identificado com o local onde Moisés teve seu encontro com Javé (Foto: Reprodução)

Apiru = hebreus?

Para Milton Schwantes, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, outro problema com a ligação entre os israelitas e os hicsos é dar ao Êxodo uma dimensão muito mais grandiosa do que seria razoável esperar do evento. "É uma cena de pequeno porte - estamos falando de grupos minoritários, de 150 pessoas fugindo pelo deserto. Em vez do exército egípcio inteiro perseguindo essa meia dúzia de pobres e sendo engolido pelo mar, o que houve foram uns três cavalos afundando na lama", brinca Schwantes.

Ele é menos pessimista em relação aos possíveis elementos de verdade histórica na narrativa do Êxodo. Os israelitas são freqüentemente chamados de "hebreus" nesse livro da Bíblia, uma mistura de nomenclaturas que deixou os estudiosos com a pulga atrás da orelha. Documentos do Oriente Médio datados (grosso modo) entre 2000 a.C. e 1200 a.C., porém, falam dos habiru ou apiru - grupos que parecem ter vivido às margens da sociedade, atuando como trabalhadores migrantes, escravos, mercenários ou guerrilheiros.

"Ou seja, os hebreus talvez não fossem um grupo étnico, mas uma categoria social, de pessoas que muitas vezes eram forçadas a participar de grandes construções no Egito, sem receber o necessário para o seu sustento", afirma Schwantes. Ele também vê sinais de memórias históricas antigas nos nomes de algumas cidades egípcias mencionadas na narrativa do Êxodo - lugares que foram ocupados por um período relativamente curto de tempo, por volta de 1200 a.C.

"O próprio nome de Moisés é um nome egípcio que os israelitas não entenderam", diz Schwantes. Parece ser a terminação "-mses" presente em nomes de faraós como Ramsés e quer dizer "nascido de" algum deus - no caso de Ramsés, "nascido do deus Rá". No caso do líder dos israelitas, falta a parte do nome referente ao deus.

Mar: Vermelho ou de Caniços?

O momento mais famoso da saída dos israelitas do Egito é o confronto entre Moisés e o exército egípcio no Mar Vermelho, quando, por ordem de Deus, o profeta abre as águas para que seu povo passar e as fecha para engolir os homens do faraó. No entanto, é possível que a história original tenha se referido não a águas oceânicas, mas a um pântano.

Explica-se: o sentido original do hebraico Yam Suph, normalmente traduzido como "Mar Vermelho", parece ser "Mar de Caniços", ou seja, uma área cheia dessas plantas típicas de regiões lacustres. Assim, nas versões originais da lenda, afirmam estudiosos do texto bíblico, os "carros e cavaleiros" do Egito teriam ficado presos na lama de um grande pântano, enquanto os fugitivos conseguiam escapar. Conforme a tradição oral sobre o evento se expandia, os acontecimentos milagrosos envolvendo a abertura de um mar de verdade foram sendo adicionados à história.

O dado mais importante sobre a dimensão real do Êxodo, no entanto, talvez venha da Palestina. Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Tel-Aviv, em Israel, conta que uma série de novos assentamentos associados às antigas cidades israelitas aparecem na Palestina por volta da mesma época em que a estela de Merneptah foi erigida. Acontece que a cultura material - o tipo de construções, utensílios de cerâmica etc. - desses "israelitas" é idêntica à que já existia em Canaã antes de esses assentamentos surgirem. Tudo indica, portanto, que eles seriam colonos nativos da região, e não vindos de fora.

Para Finkelstein, isso significa que a história do Êxodo foi redigida bem mais tarde, por volta do século 7 a.C. O confronto com o Egito teria sido usado como forma de marcar a independência dos israelitas em relação aos vizinhos, que estavam tentando restabelecer seu domínio na Palestina. A figura de Moisés, talvez um herói quase mítico já nessa época, teria sido incorporada a essa versão da origem da nação.

Fonte: G1

Fatos históricos do dia 20 de abril

Nasce Adolf Hitler

Adolf Hitler nasceu no dia 20 de Abril de 1889, na cidade austríaca de Braunnau. Foi líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Acabou como chRedação Terra de governo do país, difundindo o nazismo. Com a sua política expansionista, provocou ainda a II Guerra Mundial.

1808 - Nasce Carlos Luis Bonaparte, Napoleão III.
1810 - A Junta do governo de Caracas proclama a existência de uma soberania nacional desligada da Espanha.
1843 - É aprovada, na Colômbia, uma nova Constituição, que acaba acentuando o regime centralista.
1845 - Começa o primeiro mandato presidencial do general Ramon Castilla no Peru.
1851 - José Rufino Echenique é eleito presidente do Peru.
1853 - O general Antonio López de Santa Anna ocupa novamente a presidência do México.
1859 - Uma expedição armada franco-espanhola se dirige à Cochinchina.
1871 - Uma lei suprime a associação secreta Ku-Klux-Klan nos Estados Unidos, proibindo sua existência.
1889 - Nasce Adolf Hitler, nazista alemão, que, com sua política expansionista, provocou a Segunda Guerra Mundial.
1893 - Nasce Joan Miró, pintor espanhol.
1923 - Nasce Ernesto Antonio Puente, compositor e percussionista portorriquenho.
1941 - Nasce Ryan O'Neal, ator norte-americano.
1947 - Morre Christian X, rei da Dinamarca. Seu filho Federico IX assume o poder.
1949 - Nasce Jessica Lange, atriz norte-americana.
1965 - A China Popular oferece seu apoio ao Vietnã do Norte contra a agressão dos Estados Unidos.
1983 - Começa a Conferência da Paz da América Central, no Panamá. Seis ministros de Exteriores dos países da América Central e do México, Colômbia e Venezuela participaram do evento.
1987 - A Administração norte-americana autoriza o registro de patentes sobre novas formas de vida obtidas por manipulação genética.
1989 - O governo colombiano aprova três decretos para confrontar os grupos militares financiados pelos grupos de narcotráfico.
1990 - O escritor venezuelano Arturo Uslar Pietri é homenageado com o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras.
1994 - Morre José Antonio León Rey, poeta e escritor colombiano.
1996 - A direita religiosa ultra-conservadora ganha com maioria absoluta as eleições legislativas para o Parlamento Iraniano.
1998 - Morre Octavio Paz, poeta mexicano.

Fonte: Terra

sábado, 19 de abril de 2008

do_mal.com

Receitas de bomba, blogs anoréxicos, fóruns racistas, manuais suicidas. Mergulhamos no lado sombrio da internet para entender por que esse conteúdo se dissemina e como as comunidades “do mal” são combatidas

Nas últimas semanas, fui uma jovem deprimida à beira do suicídio. Também fui um pedófilo buscando pornografia infantil, uma menina ingênua assediada por homens mais velhos em chats e uma garota anoréxica procurando dicas para emagrecer. Não, leitor, não estou sofrendo de múltipla personalidade. Esses personagens fictícios me acompanharam durante uma investigação sobre o que acontece de pior nas redes de relacionamento da internet.

Ninguém nega que sites como Orkut, Myspace e Facebook, além de fóruns e listas de discussão, são ferramentas sensacionais de comunicação. Mas há quem use esses sites para aprender a construir bombas e violar mercadorias. Para disseminar intolerância e violência. Ou incentivar comportamentos perigosos como anorexia e suicídio. A facilidade para discutir em grupo coisas sombrias levanta uma questão: onde termina a liberdade de expressão e onde começa o crime? Além da lei, outra questão: o que fazer?

SUICÍDIO

Más companhias: Vinícius Marques (à esq.) foi incentivado por amigos virtuais a cometer suicídio. Seus desenhos (à dir.) estão no encarte de seu CD póstumo.

O caso que mais chamou atenção no Brasil para o lado negro das comunidades virtuais foi o do gaúcho Vinícius Marques, que cometeu suicídio em 2006, aos 16 anos. Conversas arquivadas no serviço Google Groups mostram que Yoñlu (personalidade virtual de Vinícius) obteve orientação e incentivo da comunidade para morrer inalando monóxido de carbono. Em Ponta Grossa (PR), o jovem Thiago Arruda se matou de forma semelhante em 2007, depois que ofensas homofóbicas no Orkut extrapolaram para a vida real. Nos EUA, Megan Meier, 13 anos, se enforcou por causa de mensagens que trocava com um certo John Evans, 16 - um personagem criado pela mãe de uma ex-amiga. Em Bridgend, no País de Gales, 17 jovens se enforcaram desde janeiro de 2007. A polícia acredita haver conexões entre eles no site Bebo, um Orkut britânico.

Para tentar entender histórias como essas, entrei em uma lista de discussão cujo tema é "tirar a própria vida". Me fazendo passar por suicida, escrevi: "Decidi me matar e quero saber qual o método menos doloroso". Em pouco tempo obtive respostas. "Procure os arquivos sobre os coquetéis (...) ou (...). São os métodos mais letais e menos dolorosos para ir embora", disse um internauta. "Uma overdose de um barbitúrico de ação rápida como o (...) ou o (...) é considerada a melhor maneira pelos grupos de eutanásia", ensina outro. "Se fizer do jeito certo, o enforcamento não é tão doloroso, além de ser barato e fácil. Só precisa uma corda", disse alguém. "Explosivos não são tão difíceis de conseguir. Uns 20 litros de diesel e um pacote de fertilizante devem produzir uma explosão suficiente para te incinerar instantaneamente. Mas, para ter certeza, dobre ou triplique a quantidade", afirma o último.

Fiquei chocada com a objetividade das respostas. Ninguém se mostrou perturbado, e apenas um dos meus interlocutores perguntou qual o motivo da minha decisão. Depois, entendi que aquelas pessoas estavam habituadas a discutir métodos de suicídio e dividir experiências traumáticas, como desemprego, fins de relacionamento, abuso sexual, vício em drogas e doenças terminais. Há inclusive quem tenta dissuadir os suicidas. "Eu imploro, não escolha uma solução tão drástica. Você tem (diferentemente de mim), toda sua vida pela frente", escreveu um participante para um garoto de 18 anos que pretendia tirar a vida. "Pode soar hipócrita para alguém que planeja se matar ainda neste mês (...) Sou a favor do direito de alguém acabar com a própria vida, apenas certifique-se de que a possibilidade de felicidade realmente não existe", aconselhou.

Me fazendo passar por suicida, escrevi: "Decidi me matar e quero saber qual o método menos doloroso". Em pouco tempo obtive várias respostas

Mas, para cada pessoa que envia mensagens como essas acima, há muitas outras dando força. O que leva a essa atitude? "Quem faz isso pode estar sendo irônico, pode não levar a sério a ameaça de morte ou até estar testando teorias", diz Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC de São Paulo. Também podem ser suicidas potenciais que pensam estar ajudando pessoas com o mesmo problema. "Mas com certeza são pessoas que precisam de ajuda, precisam se conhecer. Não estão adaptadas ao meio em que vivem."

"Eu acredito que para o Vinícius foi absolutamente decisivo o fato de alguém cortar essa teia que o prendia à vida", disse o psicanalista Mário Corso, terapeuta do garoto, em entrevista à revista "Época". "Ele brincava com a idéia de morrer como uma saída para as crises de angústia e desespero. Mas tinha laços fortes com a vida que podiam resgatá-lo. Sem aquele último estímulo ele não teria tido coragem para se matar, como não teve das outras vezes", afirma Corso, que só tomou a atitude de se expor por acreditar que o que aconteceu com Vinícius foi criminoso. Incentivar alguém a cometer suicídio ou prestar auxílio para que o faça é crime previsto no código penal (veja quadro "Chat e Castigo").

Megan Meier, 13 anos, que se enforcou após receber ofensas de um pretendente fictício

"Pesquisas mostram que potenciais suicidas têm muito medo de sentir dor, de não escolherem o método adequado ou executá-lo mal e sobreviverem com seqüelas graves a uma tentativa malsucedida", diz David Phillips, professor de sociologia da Universidade da Califórnia e um dos maiores pesquisadores do mundo de casos de imitação em suicídios. "Acredito que ter alguém te ensinando como fazer é um fator de risco", afirma. "Além disso, experimentos de psicologia social mostram que muitas pessoas só tomam coragem para tomar atitudes que violam normas quando vêem outras fazendo o mesmo. É como se ganhassem permissão." Esse princípio da imitação vale para todos os comportamentos "desviantes", mais evidentes na internet.

Não se trata de demonizar a rede: ela apenas facilita a conexão entre as pessoas, sejam amantes de bolo de cenoura ou suicidas potenciais. "Esses sites permitem que pessoas passando pelas mesmas experiências se encontrem mais facilmente", diz Will Reader, professor de psicologia da Universidade de Sheffield Halam, no Reino Unido. "Antes da internet era mais difícil para suicidas potenciais encontrarem uns aos outros, mais difícil ainda para indivíduos desenvolverem 'culturas suicidas' nas quais uns encorajam os outros a se matarem."

TOLERÂNCIA

Ódio em banda larga: Vírus 27 é um membro dos Carecas do Subúrbio, grupo da Grande São Paulo que usa a internet para divulgar as suas idéias homofóbicas

As comunidades virtuais também são um meio rápido, eficiente e abrangente de divulgar conceitos e preconceitos. "Ocorre nesses sites o que acontece com qualquer forma de interação social, seja ela mediada por tecnologia ou não", afirma o psiquiatra Benilton Bezerra Júnior, professor da UERJ. Exemplos de intolerância de todos os tipos são fartos no Orkut, em comunidades como "Traveco é na Facada" ou "Animais eu mato é na facada". Um dos tópicos da comunidade "Foda-se vizinho de merda" discutia o que era pior, ter um vizinho crente ou fã de funk carioca. "Os funkeiros da frente, que quando ligam o som aparece tanto preto que a minha empregada até recolhe a roupa do varal, pois acha que é arrastão!", escreveu um dos membros. "Agora tem um preto safado, macaco fedorento... pedreiro!!! Presidiário... fugitivo", escreveu uma usuária sobre outro membro participante de um fórum.

Ninguém se intimida. A antropóloga Adriana Dias, por exemplo, não teve dificuldades em encontrar quase 14 mil sites com conteúdo nazista e revisionista (negadores do Holocausto), para seu mestrado na Unicamp. Geralmente, muitos participantes se dizem alemães e arianos, mas quase ninguém prova ser descendente. "Essas pessoas construíram, socialmente, uma paranóia", afirma Adriana. "Dizem que os judeus representam uma ameaça econômica, que homens negros que aparecem na televisão mexem com a libido das mulheres e que a adoção de crianças negras e o casamento inter-racial estão levando ao genocídio da raça humana." Segundo Adriana, o fator coletivo é fundamental em tanto ódio: "Eles vão discutindo entre si e vão sendo convencidos paulatinamente que os negros e judeus querem tomar seu lugar na sociedade", diz.

"O problema é, estão tratando o homossexualismo como uma coisa normal, e isso não está certo! (...) Isso está moldando nossa sociedade para um nível patético. (...) Sem falar que nosso mundo está, em parte, sendo destruído por causa do homossexualismo, pois foram os homossexuais que iniciaram a contaminar o mundo com a Aids"
Comentário publicado em um fórum do Orkut

Para a psicanalista Fani Hisgail, da PUC de São Paulo, pessoas que se comportam dessa maneira e chegam a incitar a morte de outro grupo estão à margem do código social e da ética. "Elas desejam criar conflitos, situações maléficas. São as misérias humanas", diz. Segundo Adriana Dias, elas são estimuladas pelo anonimato da rede e não têm medo de sofrer conseqüências legais. "Dizem que têm direito à liberdade de expressão." Sim, a Constituição brasileira garante esse direito. Mas proíbe o anonimato, justamente para responsabilizar quem abusa da liberdade de expressão.

Hospedeiras de comunidades virtuais como o Yahoo! e o Google (proprietário do Orkut) preferem remediar do que prevenir, atendendo a denúncias dos usuários e solicitações judiciais. Segundo o diretor de comunicação para assuntos públicos do Google no Brasil, Félix Ximenez, das 20 mil denúncias semanais, 95% são infundadas, geralmente motivadas por desafetos. Ele cita como exemplo uma denúncia contra uma comunidade sobre nazismo. "Mas era um grupo que debatia o tema, havia mais opiniões negativas em relação ao nazismo do que positivas." A comunidade foi mantida.

PEDOFILIA

Prosseguindo minhas pesquisas pelo lado sombrio da rede, entrei em uma sala de bate-papo de um grande portal brasileiro, em um grupo para usuários de 15 a 20 anos. Logo de cara se percebe que sexo é o tema predominante. Fui chamada várias vezes e comecei a conversar com um usuário que se dizia um homem de 22 anos. "Ei, gatinha, vamos pro MSN agora, curtir algo mais quente pela webcam. Que tal, você topa?", perguntou. Eu disse que tinha 12 anos, mas meu interlocutor não se intimidou. "Curte falar de sexo?", continuou. "Sou tímida", recuei. "Já fez sexo?", ele insistiu. Respondi que não e perguntei se não me achava muito nova, mas ele insiste. "Só pra gente brincar, só matar a curiosidade. Você não tem webcam mesmo? Você me mostra algumas coisinhas, eu te mostro tudinho que você tem vontade." Não há nenhum tipo de controle: crianças de qualquer idade poderiam estar participando dessa conversa.

"O abuso não é só penetração. Um olhar lascivo pode ter um efeito devastador sobre uma criança", diz a psicanalista Fani Hasgail. "A pessoa que tem esse problema deve procurar ajuda, saber recuar frente a seu objeto de desejo." A ajuda pode inclusive surgir nas próprias redes de relacionamento. Como na comunidade "Pedofilia - Ajuda ao Pedófilo" do Orkut, moderada pela auxiliar de enfermagem e psicóloga Lidia Mara ("Brisa" no mundo virtual). "Eles se ajudam a controlar seus impulsos, pois sabem os danos físicos e psíquicos que um abuso causa em uma criança. Inclusive alguns sofreram isso na infância", disse Lidia, que ressalta que, apesar de sua formação, não atua como profissional, mas como amiga. "A comunidade é criticada abertamente por pseudo-justiceiros a fim de 5 minutos de fama. Mas em que outro local pedófilos trocam informações para não abusarem de crianças sem divulgar materiais pornográficos ou fazer apologia à pedofilia, com a segurança do anonimato e de sua integridade física?"

Eu disse que tinha 12 anos, mas ele não se intimidou. "curte falar de sexo?" Não há qualquer controle: crianças de qualquer idade poderiam ter essa conversa

"Gostar sexualmente de crianças afeta drástica e permanentemente a sua relação social", me confidenciou "Johnnie", 23 anos. Ele diz ter começado a perceber que gostava de meninos mais novos aos 14 anos, quando arrumou a primeira namorada. Mas enfatiza que o sentimento é platônico. "As comunidades fazem um papel importante no combate. Uma vez que um pedófilo faz um amigo igual, ele passa menos tempo pensando na criança. Ninguém melhor que um pedófilo para agüentar as desilusões amorosas de outro, quando isso acontece. De outra forma, quando se unem pedófilos abusadores, você terá o encorajamento das perversidades."

Johnnie está certo. Se podem servir como terapia em grupo, as redes também são um espaço amplo para os pornógrafos, que costumam usar gírias como "pthc" (pre-teen hardcore, algo como "pré-adolescente barra-pesada", que indica fotos e vídeos de conteúdo sexual explícito) ou "hussyfan" para despistar. Normalmente fazem contato oferecendo troca de material e fornecendo algum endereço de e-mail para conversas mais privadas no MSN ou programas semelhantes. Sites de compartilhamento de arquivos também são ferramentas muito usadas. Minha persona "pedófila" só fez um contato, com um sujeito que numa comunidade disse ter fotos "pthc", mas por e-mail afirmou que "era só zoação".

CHAT E CASTIGO

Seus atos na internet podem infringir a lei

EXEMPLO CRIME PENA

Dizer que alguém cometeu algum crime: "Ele é um ladrão"
Calúnia Artigo 138 do Código Penal (CP)
Detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa

Espalhar um boato para uma ou mais pessoas
Difamação Art. 139 do CP
Detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa

Ofender a honra, dignidade ou decoro: chamar a pessoa de "gorda", "feia", "vaca" etc.
Injúria Art. 140 do CP
Detenção, de 1 a 6 meses, ou multa

Dizer que vai "pegar" ou agredir alguém
Ameaça Art. 147 do CP
Detenção, de 1 a 6 meses, ou multa

Divulgar informação considerada confidencial, produzindo dano
Divulgação de segredo Art. 153 do CP
Detenção, de 1 a 6 meses, ou multa

Instigar alguém a suicidar-se ou prestar auxílio para que o faça
Incitação ao suicídio Art. 122 do CP
Detenção, de 1 a 3 anos

Dizer que odeia alguém, um grupo ou alguma organização
Pode recair em crime de calúnia, difamação ou injúria - Arts. 138, 139 e 140 do CP
Detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa

Zombar de religiões
Escárnio por motivo de religião Art. 208 do CP
Detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa

Acessar sites pornográficos
Favorecimento da prostituição Art. 228 do CP
Detenção, de 2 a 5 anos

Ensinar como fazer "um gato", como burlar mecanismos de segurança ou construir bombas
Apologia de crime ou criminoso Art. 287 do CP
Detenção, de 3 a 6 meses, ou multa

Incitar violência a pessoas, grupos étnicos, religiosos ou de orientação sexual semelhante
Incitação ou apologia de crime - Art. 286 e 287 do CP
Detenção, de 3 a 6 meses, ou multa

Dizer que alguém é isso ou aquilo por sua cor de pele
Preconceito ou discriminação raça-cor-etnia - Art. 20 da lei 7.716/89
Reclusão de 1 a 3 anos e multa

Ver ou enviar pela internet fotos de crianças nuas
Pornografia infantil Art. 241 da lei 8.069/90
Multa de 3 a 20 salários, aplicando-se o dobro em caso de reincidência
Fonte: Patrícia Peck Pinheiro Advogados

APOLOGIA AO CRIME

Tragédia evitada: torcedores do Flamengo buscam os do Vasco em 17 de fevereiro, dia de clássico; o confronto, marcado no Orkut, foi impedido pela polícia

Nem sempre há intenções NOCIVAS por trás dos delitos virtuais. Aparentes piadas, como criar no Orkut uma comunidade para celebrar ligações clandestinas de televisão a cabo, podem dar cadeia. Foi o que aconteceu com Michele de Araújo Nogueira, 23 anos, criadora da "Gatonet", que reunia 222 membros quando foi tirada do ar. Tratava-se de apologia ao crime, um dos delitos mais comuns nas redes sociais. O delegado José Mariano de Araújo Filho, da delegacia especializada em delitos praticados por meios eletrônicos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (DEIC) da Polícia Civil de São Paulo, conta que normalmente são investigados os responsáveis pelos fóruns.

Vale desde incentivo à "gambiarra" na TV a cabo até a exaltação de comportamentos criminosos. "Uma vez pegamos uma comunidade de um time de futebol chamada 'Al-Qaeda'. Eles postaram fotos de montes de cocaína, gente com arma na mão e frases como 'se nós dermos as mãos, quem vai empunhar as armas?'", conta o delegado Mariano. Os torcedores podem nunca ter pego em uma arma, mas fazer apologia ao crime publicamente é ilegal.

Mas muita gente parece não saber disso. "Alguém aí sabe alguma maneira de burlar o detector de lacres (nessas lojas como Renner, C&A etc.)?", pergunta uma pessoa no fórum da comunidade orkutiana "Eu já roubei" . "Diz a lenda que um ímã potente resolve o negócio", responde um anônimo, ensinando como retirar as etiquetas eletrônicas utilizadas por lojas para evitar furtos. As empresas agradecem pelas dicas sobre falhas de segurança.

Um membro da comunidade alerta: "Depois de acender, corre mesmo, porque a explosão é brutal!", antes de ensinar como construir uma bomba caseira

Seja por ingenuidade ou para ver o circo pegar fogo, exemplos de incitação a comportamentos perigosos são infinitos. "Depois de acender corre mesmo, porque a explosão é brutal!", alerta um membro da comunidade "Operações com explosivos", antes de ensinar como construir uma bomba caseira com ingredientes fáceis de obter. Ele deu a receita mesmo após protestos de outros membros do grupo, voltado para profissionais que lidam com explosões. "Algumas pessoas não têm muita noção de seriedade nem consciência e transmitem opiniões irresponsáveis", afirma a psicóloga Luciana Ruffo.

O que vai determinar se um comportamento irresponsável pode ser caracterizado como crime ou não depende da legislação do país onde a pessoa está e as palavras usadas. "Meus direitos constitucionais me permitem postar informações na minha página do Myspace sobre como construir uma bomba", diz Angela Bell, porta-voz do escritório de relações públicas do FBI, o departamento de investigações federais dos Estados Unidos. "Mas o FBI pode me investigar se eu encorajar os visitantes a usar esses dados para ameaçar ou machucar alguém. Seria percebido como ato potencial de terrorismo."

"As etiquetas eletrônicas da C&A e da Leader Magazine foram as mais fáceis de tirar, só puxei com certa intensidade e saiu. A Renner está de parabéns, pois tive de cortar com estilete para tirar "

"Tinha um ímã da minha TV e passei no lacre de um boné na C&A e soltou mole mole "
Comentários postados em comunidade do Orkut

Não raro, conflitos virtuais migram para a vida real, como discussões entre torcidas organizadas de futebol, que começam na internet e são resolvidas na rua. Em setembro de 2006, uma briga entre torcedores do Botafogo e do Fluminense antes de um jogo pela Copa Sul-Americana deixou um morto e dois feridos. Integrantes da torcida Fúria Jovem do Botafogo surpreenderam os rivais da organizada Young Flu quando estes deixavam a sua sede. Na época a polícia investigou comunidades do Orkut, já que uma mensagem no site falava em "invadir o Méier", bairro da Young Flu. Dias depois, mensagens marcando revanche apareciam na comunidade "Brigas de Torcidas Organizadas", já tirada do ar.

Os orkuteiros membros de organizadas têm outra versão da história, "revisionista". "Confrontos entre organizadas em sites de relacionamentos não passam de lendas!", disse um. "Quando tem algo assim, é coisa de moleques, crianças e fakes (perfis falsos)", disse outro. Para completar, não podia faltar intimidação: "Estamos espalhados por todo o País! Jamais acabarão conosco, imprensa maldita!". Fiz o favor de corrigir os erros de ortografia dos torcedores.

Até comunidades do tipo "Eu odeio o fulano", na qual todo mundo posta por brincadeira, podem esbarrar na ilegalidade. "Dependendo do contexto, pode recair em crime de calúnia, difamação ou injúria", diz Patricia Peck, advogada especialista em direito digital. E alerta: mesmo quem não comenta na comunidade, mas é membro dela, pode ser responsabilizado por eventuais atos ilícitos. "É o princípio do 'quem cala consente'", diz Patricia.

DISTÚRBIOS ALIMENTARES

Fome anônima: na internet, garotas com distúrbios alimentares encontram incentivo de outras que passam pelo mesmo problema - geralmente para mantê-lo

Apologia à anorexia e bulimia pode não ser contra a lei. Mas, diferentemente do que defendem suas adeptas, quase nunca é apenas a defesa de um estilo de vida. Segundo um estudo da ONG Seu Abrigo, dirigida pela psicóloga Ana Helena Soares, da Fundação Fiocruz, sites sobre distúrbios podem estimulá-los. Os autores dessas páginas (66% são meninas entre 13 e 17 anos) ensinam dietas e táticas e dão dicas de como disfarçar a doença para a família e amigos. "Os espaços contêm materiais que personificam, glorificam e endeusam a doença, incluindo cartas, orações e credos. Essas estratégias de absorção do grupo geram um efeito de desresponsabilização do doente", afirma o documento.

Não é difícil entender por que a apologia a esses distúrbios alimentares pode influenciar meninas suscetíveis. Em uma comunidade do Orkut dedicada ao tema, a moderadora lista os "mandamentos de uma ana" ("ana" e "mia" são apelidos carinhosos para anorexia e bulimia): "Olhe no espelho e diga a você mesma que está gorda. Você nunca estará magra demais. Fique de olho nas calorias. Se puder, nem coma, só quando estiver fraca demais e achar que não vai agüentar. Mas lembre-se: comer é para os fracos". Os efeitos dessas frases sobre uma jovem com problemas de auto-estima ou tendências a comportamentos destrutivos podem ser devastadores.

As meninas freqüentam os blogs umas das outras e deixam comentários de incentivo, congratulando a amiga pelo "sucesso" de não comer

Muitos desses blogs viram uma espécie de terapia coletiva. As meninas freqüentam os sites umas das outras e deixam comentários de incentivo, às vezes congratulando a amiga no "sucesso" em não comer. Algumas poucas aconselham a procurar tratamento. As autoras alternam "posts" ora triunfantes com a resistência à comida, ora em tom de desespero e alerta. "Eu não posso mais continuar assim. Imagino alguém me encontrando numa poça de sangue e vômito... morta. Minhas pernas estão fracas e é possível escutar o tlééc dos ossos. Preciso parar de vomitar, essa mutilação precisa acabar. Espero que isso ajude quem vem aqui a não cometer o mesmo erro que eu cometi...", escreveu a blogueira chamada Aninha.

"Meninas, me ajudem, não consigo emagrecer", escrevi no site de discussão Inforum. Várias mensagens de outras meninas seguiram-se à minha, com o mesmo teor. "Parem de vomitar, vocês estão acabando com a vida de vocês com esse negócio de querer ficar magra", alertou outra.

Vanessa Costa, 21 anos, é uma das poucas meninas a se identificar. Ela, que sofre transtornos alimentares desde os 13, criou seu blog há cerca de um ano, inspirada por outras blogueiras. "Não conheço nenhuma delas pessoalmente nem mesmo seus nomes verdadeiros. Elas se escondem. Eu não me escondo", diz. Hoje, grávida de três meses, Vanessa está em processo de recuperação, seguindo uma dieta balanceada. E prefere falar sobre outros assuntos em sua página.

"Tenho medo do que algumas meninas escrevem e não vejo saída pra algumas delas senão morrer numa maca de hospital. Algumas deixam comentários falando que querem perder dois quilos pra uma festa e perguntam como fazem pra ter anorexia. Elas não têm noção da triste realidade que nós já passamos", afirma Vanessa. "Acredito que esses blogs deviam ser censurados. Essas meninas nunca irão se curar se tiverem apoio de outras."

Em novembro do ano passado, a Microsoft retirou do ar quatro blogs espanhóis hospedados no serviço Windows Live Spaces que faziam apologia a transtornos alimentares, mesmo sem uma ordem judicial, atitude rara. Algumas pessoas podem encarar isso como censura, mas, na época, o responsável pelos serviços Hotmail, Messenger e Spaces da Microsoft na Espanha, Jaime Esteban, declarou que os blogs infringiam as normas de uso dos serviços.

FIM DE PAPO

As causas para a disseminação de conteúdo "do mal" são claras: anonimato, facilidade para encontrar semelhantes e potencialização da interação social. Já as saídas para esse problema variam de acordo com o especialista. "O combate ao racismo, por exemplo, deve envolver leis, educação, políticas públicas e ação da polícia", diz a antropóloga Adriana Dias. Para Félix Ximenez, do Google, a solução passa pelo incentivo à denúncia de abusos. O aprimoramento do trabalho policial é o caminho apontado pelo delegado José Mariano de Araújo Filho: "Não há crime que não possa ser rastreado pela rede", diz. "Contamos com programas para recuperação de dados deletados", afirma Sérgio Kobayashi, diretor do Núcleo de Informática do Instituto de Criminalística de São Paulo. O órgão, que recebe cerca de 300 casos de exames periciais por mês, analisa conteúdo de sites, de discos rígidos de computadores e mensagens. "Em todas as ocasiões, esses laudos são peças fundamentais na comprovação do crime cometido", diz.

"Creio que é preciso estar atento ao que se passa nas redes", diz o psiquiatra Benilton Bezerra Junior. "Para a maioria dos usuários, a internet dá acesso não controlado a um universo que é muito mais amplo, complexo e intrigante do que eles são capazes de avaliar. Aumentam exponencialmente os efeitos benéficos dessas redes, mas em compensação explodem os usos condenáveis", afirma. Cabe aos responsáveis acompanhar o que se passa nesse universo. "A internet não é um quintal ou a rua em frente de casa. Pode ser perigosa para quem ainda não tem maturidade para avaliar seus atrativos e riscos."

"Há um grande debate em torno da censura", diz o psicólogo Will Reader. "Alguns membros do parlamento britânico sugeriram proibir sites como os de apologia a anorexia. Mas isso envolve liberdade de expressão: quem decide quais sites devem ser banidos?", questiona. Reader concorda que o monitoramento dos pais é fundamental. "Fazemos a mesma coisa no mundo real, restringindo os locais onde as crianças podem ir", diz.

Para o psiquiatra Benilton Junior, as interações sociais mediadas pelo computador se tornam mais complexas com as crescentes possibilidades de produção e distribuição de conteúdo, que já está deixando os computadores e chegando a celulares e TVs. "Isso terá um impacto enorme no nosso cotidiano - para o bem e para o mal." Se é que já não está tendo.

Fonte: Revista Galileu

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Fatos históricos do dia 17 de abril

Morre Benjamin Franklin

No dia 17 de abril de 1790, morreu Benjamin Franklin, diplomata e inventor norte-americano, nascido na Filadélfia, Estados Unidos. Franklin foi quem descobriu a bioeletricidade e inventou os pára-raios, usados até hoje, após uma experiência com uma pipa em uma tempestade.

1535 - Antônio de Mendoza é nomeado o primeiro rei da Nova Espanha, no México.

1582 - Hernando de Lerma funda a cidade argentina de São Felipe de Lerma, atual Salta.

1797 - Uma frota inglesa, defendida pelo governador General Ramon de Castro, ataca São João de Porto Rico, com intenção de conquistar a ilha.

1897 - A Turquia declara guerra contra a Grécia.

1898 - Guerra de Cuba: o Senado dos Estados Unidos proclama a independência da ilha de Cuba por 67 votos contra 21.

1925 - O general Gerardo Machado é eleito presidente de Cuba pelo Parlamento.

1989 - Os uruguaios legitimam, com 57,22% de votos, a lei que perdoa os militares da ditadura.

1919 - A Assembléia Nacional Francesa aprova a jornada de trabalho de oito horas.

1923 - O XII Congreso do Paritdo Comunista da União Soviética é aberto. Stalin e a direção do partido são muito criticados.

1931 - O Partido Comunista Brasileiro convoca os trabalhadores a fazer a marcha da fome, no Rio de Janeiro. A polícia, chefiada por Batista Luzardo, proibe a manifestação e reprime grupos de operários.

1934 - Leon Tróstki é expulso da França.

1941 - Segunda Guerra Mundial: a Iugoslávia se rende perante os ataques da Alemanha.

1941 - As tropas britânicas entram no Iraque.

1943 - Hitler exige que a Hungria prenda todos os judeus do país.

1943 - Na cidade do México, Jacques Monard é sentenciado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa de 1917 que se exilou no México.

1956 - Os Estados Unidos apresentam o avião Lockheed F-104 Starfighter, que possui velocidade dobrada e pode transportar armas atômicas.

1958 - A Exposição Universal, inspirada nos acontecimentos científicos, é inaugurada em Bruxelas. Participam da exposição 51 nações e várias organizações internacionais.

1961 - Cerca de 1,4 mil exilados cubanos nos Estados Unidos desembarcam na baía de Cochinos (Cuba), em uma tentativa frustrada de derrotar Fidel Castro.

1965 - Numa das maiores manifestações contra a guerra do Vietnam, 15 mil jovens norte-americanos participam de um protesto em Washington.

1975 - As forças comunistas do Exército Vermelho entram em Pnom-Penh, a capital de Camboja.

1983 - Um incidente diplomático retém por 50 dias no Brasil 4 aviões líbios com armas para a Nicarágua.

1986 - Três reféns britânicos, seqüestrados no Líbano, são assassinados, como forma de represália pela utilização de bases aéreas britânicas pelas forças dos Estados Unidos que bombardearam a Líbia.

1987 - Após uma tentativa frustrada de golpe de Estado contra o governo das Filipinas, uma pessoa morreu e três ficaram feridas.

1996 - Em confronto com a polícia, 19 trabalhadores sem-terra foram mortos em Eldorado dos Carajás, no Pará.

1997 - A Marcha dos Sem-Terra chega à Brasília.

Fonte: Terra

Mais cara e com atraso, ponte estaiada será inaugurada em maio

Obra começou a ser construída em 2005 e tinha previsão de inauguração em março.

Segundo gerente da Emurb, chuva e acidentes com operários atrasaram trabalhos.


Cerca de mil veículos devem passar pelas pistas da ponte estaiada nos horários de pico

A inauguração da Ponte Octavio Frias de Oliveira, na Zona Sul de São Paulo, ainda não tem data certa, mas tem prazo máximo: 10 de maio. A estrutura também é conhecida como “Ponte Estaiada”, por ser formada de 144 estais, conjuntos de cabos flexíveis que sustentam as peças da obra.

Veja mais fotos da obra

“Falta o lado esquerdo da Marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco. Também falta a concretagem de três lajes”, diz o gerente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Norberto Duran, sobre as obras que ainda serão feitas na ponte nos próximos dias.

A ponte, que atravessa a Marginal Pinheiros, começou a ser construída em abril de 2005. "Antes, houve um estudo de vento em um laboratório no Rio Grande do Sul para se chegar à conclusão de que existiam condições reais de segurança para construção da obra", relata Duran. A previsão inicial era que a estrutura fosse inaugurada em março deste ano. “Atrasou em função de acidentes e chuvas”, explica o gerente da Emurb.

Mortes

Dois operários morreram durante a obra. O primeiro, de 22 anos, morreu em 8 de abril de 2007, após cair da laje de uma das pistas. O segundo morreu em 16 de março deste ano, esmagado por um rolo compressor. Ele tinha 49 anos.

Atualmente, 420 homens trabalham na construção da estrutura. O número chegou a 450 em outubro de 2007, quando todas as frentes de serviço estavam em execução.

Ainda segundo o gerente da Emurb, a previsão inicial era que fossem gastos cerca de R$ 184 milhões com a obra, mas o montante já chega a R$ 233 milhões. “Houve um aditamento de contrato, mas a expectativa era essa mesmo. Houve uma licitação para o remanejamento de linhas de transmissão e da alça”, explica Duran.

Formato inusitado

Por causa do mastro em forma de ”X” de 138 metros de altura, a ponte virou ponto de referência em São Paulo. A estrutura é o apoio das duas pistas da ponte e foi projetada para diminuir o impacto ambiental da construção.

“Foi uma solução de projeto. Na verdade, eram para ser construídas duas pontes comuns, mas ia ter impacto ambiental”, afirma Duran. De acordo com ele, se tivessem sido feitas no sistema convencional, as estruturas precisariam ter apoio no Rio Pinheiros. Por ser estaiada, a Ponte Octavio Frias de Oliveira passa por cima, sem interferir no rio.

A ponte vai estabelecer a ligação entre a Marginal Pinheiros, no sentido Interlagos, e a Avenida Jornalista Roberto Marinho. Segundo estimativa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), cerca de mil veículos transitarão em cada sentido da ponte nos horários de maior movimento no trânsito. Com a obra, deverá haver alívio de tráfego nas Pontes Morumbi e Engenheiro Ary Torres.

Fonte: G1 - Foto: Frâncio de Holanda (G1)