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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Após suspeita de erro, físicos voltam a estudar a idade do Santo Sudário

Laboratórios investigam contaminação que poderia ter alterado idade da 'mortalha'.

Livro que acaba de chegar ao Brasil defende origem 'fotográfica' da imagem.

A imagem em negativo, de corpo inteiro, do homem do Sudário (Foto: Divulgação)

A obsessão pela relíquia mais controversa da cristandade acaba de voltar aos laboratórios. Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do Turin Shroud Center, nos Estados Unidos, estão investigando a possibilidade de uma contaminação rara no Santo Sudário, a mortalha de linho que supostamente teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após sua morte na cruz. Se tal contaminação ocorreu mesmo, a idade do Sudário estimada pela datação com carbono-14 - apenas uns 700 anos, indicando que o pano é uma fraude medieval - estaria incorreta.

A nova bateria de testes é uma prova de como a imagem enigmática do Sudário continua fascinando cientistas e leigos, exatos 20 anos depois do suposto teste definitivo de sua autenticidade - no qual a mortalha acabou não passando. E também mostra como é difícil um estudo objetivo do artefato: é quase impossível encontrar uma visão científica consensual sobre o pano, com acusações de má-fé feitas tanto por defensores quanto por detratores da relíquia.

Caso se trate mesmo de uma falsificação, também não há uma explicação universalmente aceita de como ela teria sido criada. Um livro que acaba de chegar ao Brasil defende a tese de que se trata de uma espécie de fotografia primitiva, usando uma argumentação interessante, mas força a barra ao atribuir a obra a ninguém menos que o personagem favorito das teorias da conspiração, o gênio Leonardo da Vinci.

Carbono-14

O teste original da idade do Santo Sudário, hoje abrigado na Catedral de São João Batista em Turim (Itália), aparentemente seguiu à perfeição as exigências do método científico. Três grupos diferentes - da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, da Universidade do Arizona (EUA) e do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça - receberam amostras da borda do pano, longe da imagem, e as submeteram à datação por carbono-14.

Nesse tipo de teste, estuda-se o desaparecimento gradual dessa forma radioativa e instável de carbono. O carbono-14 é absorvido por todos os seres vivos - inclusive as plantas usadas para fazer o linho do Sudário - durante seu metabolismo. Quando morrem, todos possuem uma proporção parecida de carbono-14 em suas moléculas, e essa proporção decai a uma taxa fixa ao longo do tempo. Com isso, a idade de qualquer amostra de matéria orgânica pode ser estimada.

Ora, os três laboratórios obtiveram resultado parecido: o pano teria sido tecido entre os anos 1260 e 1390, no final da Idade Média. No entanto, John Jackson, do Turin Shroud Center, propõe que o Sudário pode ter sido contaminado por monóxido de carbono (CO), uma molécula na qual o carbono-14 aparece em proporções anormalmente altas.

Possível, mas não provável

"Uma quantidade relativamente pequena de monóxido de carbono, equivalente a uns 2% do carbono no linho [do Sudário], seria o suficiente para alterar a idade da amostra em cerca de mil anos", declarou em comunicado oficial o diretor da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, Christopher Ramsay. "Estamos colaborando com a equipe de John Jackson para verificar as taxas de reação [do CO com o pano]."

Ramsay, no entanto, lembra que nenhuma amostra datada por carbono-14 até hoje apresentou esse tipo de problema, graças principalmente à pequena quantidade do monóxido de carbono na atmosfera. No entanto, Jackson aposta que o incêndio que quase destruiu o pano no século 16 poderia ter criado as condições necessárias para o suposto erro de datação.

"A equipe de Jackson ainda não conseguiu replicar essas condições, mas continua sendo possível, embora não muito provável, que futuros experimentos comprovem a idéia deles", afirma Ramsay. Os laboratórios estão realizando experiências para tentar verificar se, em alguns contextos, a absorção maciça de CO pelo tecido acontece mesmo.

Leonardo da Vinci?

Enquanto os físicos britânicos e americanos tentam entender os dados contraditórios, o livro "O Sudário de Turim", dos escritores britânicos Lynn Picknett e Clive Prince, apresenta uma mistura curiosa de análise científica e muita imaginação para explicar as anomalias encontradas na imagem. Na obra, recém-lançada no país, a dupla argumenta que o Sudário é um auto-retrato fotográfico de Leonardo da Vinci, feito provavelmente em 1492.

Leonardo da Vinci: o autor da 'fotografia' do Sudário? (Foto: Reprodução)

Apesar da tese aparentemente fantasiosa, os dois apresentam um bom resumo das controvérsias científicas em torno da misteriosa mortalha. Um dos problemas é que muitos dos pesquisadores envolvidos no estudo do Sudário nos anos 1970 e 1980 eram católicos fervorosos, tendendo a ver o pano como a "prova física" da ressurreição de Jesus. Por isso, todas as supostas provas de autenticidade da imagem são contestadas.

Dois trabalhos famosos, por exemplo, disseram ter achado pólen de plantas que só crescem juntas durante a primavera da Palestina em meio ao Sudário, o que provaria sua origem em Jerusalém, onde Cristo foi crucificado. No entanto, botânicos independentes afirmam que mesmo os melhores microscópios não permitiriam uma identificação tão precisa das espécies de plantas.

O mesmo vale para os supostos traços de sangue - classificado como pertencente ao tipo AB - na mortalha. Alguns cientistas argumentam que, na verdade, há ali resquícios de corantes usados por artistas medievais, como o ocre vermelho. Para piorar, o pano parece ter sido extensamente manuseado ao longo dos séculos, o que permitiria a contaminação por pólen, DNA e até sangue estranhos ao "dono" original do Sudário.

Perfeito, mas nem tanto

Para completar, a imagem mostra detalhes incrivelmente realistas de ferimentos de chibatadas, de lança - a mesma que teria perfurado o tronco de Jesus e feito escorrer "sangue e água", de acordo com o Evangelho de João - e marcas da crucificação. Aliás, a marca do cravo que teria pregado um dos braços de Cristo à cruz fica não na palma da mão, mas num local preciso do pulso, que dava estabilidade ao corpo crucificado. Era assim que os antigos romanos crucificavam seus prisioneiros, mas na Idade Média - suposta data em que o Sudário foi forjado - ninguém mais sabia disso. Tanto que as imagens da época mostram Jesus pregado pelas palmas das mãos.

No entanto, o aspecto mais intrigante do Sudário é que ele parece abrigar uma imagem "fotográfica": todos esses detalhes só são vistos no negativo das fotografias tiradas dele, já que a imagem "normal" é muito tênue. Lynn Picknett e Clive Prince, os autores do livro, afirmam que isso indica uma origem fotográfica ou protofotográfica para a própria imagem.

Para comprovar isso, eles usaram substâncias e técnicas disponíveis no fim da Idade Média e na Renascença para tentar criar seu próprio "Sudário". Como pigmento sensível à luz, escolheram uma mistura de clara de ovo e sal de cromo. Usando uma câmera escura (instrumento rudimentar que inspirou as câmeras fotográficas), conseguiram projetar a imagem de um busto de gesso numa tela coberta com o pigmento. O resultado foi uma imagem do busto que tinha até o famoso "efeito de negativo" do Sudário.

Questão de fé

O ponto fraco do interessante experimento é a ligação com Leonardo da Vinci. Eles acham que o artista criou o Sudário a pedido da Igreja mas, por ser herético, quis realizar uma brincadeira blasfema contra Jesus colocando seu próprio rosto no pano, "colando-o" em cima da imagem de um cadáver crucificado. Os argumentos são circunstanciais: afinal, "só Leonardo" teria conhecimento suficiente de anatomia e óptica para bolar uma fraude tão detalhada. Além do mais, a margem de erro do teste de carbono-14 poderia, em tese, significar que o Sudário foi feito no fim do século 15.

No fim das contas, acreditar nessa tese vira quase tão questão de fé quanto acreditar na autenticidade do Sudário - a qual, é bom lembrar, não tem importância nenhuma para a fé cristã. Afinal, em nenhum lugar do Novo Testamento se diz que Jesus deixaria uma prova física de sua Ressurreição para forçar os descrentes a segui-lo.

Fonte: G1

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Astecas tinham aritmética complexa para medir fazendas, afirma estudo

Especialistas reconstruíram sistema usado por civilização para estimar área de terrenos.

Para medições irregulares e números 'quebrados', povo usava forma especial de frações.


Uma dupla de pesquisadoras desenterrou mais um sinal da complexidade científica e social dos antigos astecas, que dominaram boa parte do atual México até a conquista européia, no século 16. Com a ajuda de um sistema aritmético engenhoso, que empregava elementos parecidos com os das nossas frações, os escribas astecas conseguiam calcular com bastante precisão a área de terrenos e fazendas, mesmo quando os lados desses terrenos eram irregulares.



O mapa de Oztoticpac é uma das fontes usadas para decifrar a aritmética asteca (Foto: Library of Congress, Geography and Map Division)

A descoberta de Barbara Williams, da Universidade de Wisconsin, e María del Carmen Jorge y Jorge, da Universidade Nacional Autônoma do México, está na edição desta semana da revista especializada americana "Science". A dupla vasculhou dois manuscritos produzidos entre 1540 e 1544, o Códice Vergara e o Códice de Santa Maria Asunción, que retratam censos de terra e de população na região central do México.

A data é o primeiro problema: afinal, a invasão e destruição do Império Asteca pelos espanhóis se deu em 1521. A chegada dos europeus não teria influenciado as técnicas nativas de agrimensura? "Não temos evidências de que os métodos tenham mudado depois do contato com os espanhóis", explicou Williams ao G1. "Fragmentos de outros documentos do mesmo tipo, mas pintados antes, mostram o mesmo estilo de agrimensura, com glifos [sinais desenhados] semelhantes", diz ela.

A pesquisadora americana diz que o registro meticuloso de terras parece ter sido uma característica antiga do Império Asteca: os administradores de cada vilarejo também atuavam como guarda-livros, atualizando constantemente os registros conforme os terrenos eram subdivididos, por exemplo.

Quebrando o código

E o que diz esse IBGE asteca? Um dado já era conhecido, a medição-padrão de comprimento e de área, apelidada de "vara de terra". Crônicas do começo da era colonial no México dizem qual é o glifo utilizado: pequenas linhas para uma unidade de comprimento e círculos preenchidos de preto para a unidade de área. Estima-se que a medida equivale a 2,5 metros. O curioso, porém, é que a notação não se resumia a eles.

Os manuscritos também apresentam números variados de flechas, corações, mãos e outros objetos, que pareciam ter relação com as medidas - só não estava muito claro qual era esse elo. "Parece que esses glifos só eram usados nesse contexto de agrimensura", diz Williams.

Acontece que muitos dos terrenos medidos não tinham lados regulares, como os retângulos e quadrados que conhecemos. Nesses casos, para conseguir a área - a medição em "varas de terra quadradas", digamos - não basta só multiplicar o comprimento do terreno pela largura. É preciso usar métodos mais complicados, que envolvem coisas como dividir o terreno em dois triângulos a estimar a área total a partir daí.

Refazendo as contas necessárias para obter a área de cada fazenda irregular, as pesquisadoras perceberam que havia uma relação entre o formato dos terrenos e o uso das flechas, corações e outros sinais. Para ser mais exato, eles serviam para "fechar a conta" quando o método mais direto falhava - algo parecido com medir um intervalo de tempo usando 20 minutos e 30 segundos, por exemplo. Para os propósitos do trabalho, era um método bastante preciso e aceitável.

Acredita-se que cada glifo correspondia a uma proporção definida da medida-padrão. "Não sabemos se outros povos da região, como os maias, usavam esse método. Mas é interessante notar que encontramos coisas parecidas na Mesopotâmia [atual Iraque], por volta do ano 2.000 a.C.", diz Williams.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Navio de 800 anos é resgatado do mar da China

O navio foi retirado do mar em uma caixa de 30 m de largura

Trabalhadores de resgate na China retiraram nesta sexta-feira do fundo do mar um navio que afundou há cerca de 800 anos com uma carga de milhares de artefatos raros, como porcelana, ouro e moedas de prata.

Em uma operação delicada no Mar da China Meridional, um guindaste gigante elevou o navio Nanhai Número Um e o colocou em uma outra embarcação. Acredita-se que o navio e os tesouros são da Dinastia Song (960 a 1127). A descoberta pode ser uma das maiores já feitas sobre este período.

O navio será colocado em um tanque gigante de um museu em Yangjiang, cidade na província de Guangdong, no sudoeste da China. O tanque foi especialmente construído para recebê-lo, com condições de temperatura e pressão iguais às do local onde o navio foi resgatado.

Visitantes do museu poderão assistir aos arqueólogos enquanto eles trabalham para descobrir e retirar os tesouros perdidos de dentro da embarcação. O governo chinês investiu US$ 40 milhões para resgatar o navio.

Fonte: BBC Brasil / Foto: Reuters

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Rosto de múmia de Tutancâmon é revelado no Egito

Imagem do rosto do faraó-menino foi revelada pela primeira vez neste domingo.
(Foto: AFP)

Faraó tinha nariz chato, os dentes pronunciados e a cabeça redonda.
Múmia foi transferida para urna transparente.

A múmia do faraó Tutancâmon foi tirada de seu sarcófago e revelada ao público pela primera vez na história neste domingo (4) na cidade de Luxor, no Egito.

A partir de agora, a múmia ficará em uma urna transparente, protegida da poeira, da umidade e com controle de temperatura.

"Com a colocação da múmia na urna, mandamos o rei dourado à vida eterna", disse Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antigüidades egípcio e patrocinador deste projeto.

A múmia do "faraó-menino" tem o nariz chato, os dentes pronunciados e a cabeça redonda, segundo puderam constatar a mídia internacional reunida para assistir à transferência histórica. Este domingo marca o aniversário de 85 anos da descoberta da múmia pelo arqueólogo britânico Howard Carter.

Várias televisões gravaram o momento da transferência e um telão situado fora da câmara mortuária mostrou as imagens. A cerimônia foi reservada à imprensa. O grande público terá de esperar até segunda-feira (5) para ver o faraó mais famoso da história.

Arqueólogos retiram tecido que envolvia múmia do faraó-menino e revelam seu rosto. Público terá acesso à nova urna, que é transparente, a partir de segunda-feira (5).

Arqueólogos retiram tecido que envolvia múmia do faraó-menino e revelam seu rosto. Público terá acesso à nova urna, que é transparente, a partir de segunda-feira (5). (Foto: AP)

Fonte: G1

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Canhão do navio do pirata Barba Negra é encontrado

O canhão foi encontrado no local onde os pesquisadores acreditam
que esteja o Queen Anne's Revenge, navio do pirata

Especialistas em arqueologia submarina dos Estados Unidos dizem ter resgatado na localidade americana de Beaufort, na Carolina do Sul, um canhão que pertencia ao navio do pirata Barba Negra.

O canhão pesa cerca de 1.100 kg e mede aproximadamente 2,4 m. Barba Negra foi o pirata mais famoso da história e imortalizado pelo livro A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson.

O artefato foi retirado do provável local onde foi afundado em 1718 navio Queen Anne's Revenge (A Vingança da Rainha Anne), embarcação de Barba Negra.

Fontes: Terra/AP