terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sete entre dez notas falsas são de R$ 50

Só este ano, mais de R$ 17,6 milhões falsos já foram recolhidos pelo Banco Central.

Saiba como examinar as notas para não ficar no prejuízo: CLIQUE AQUI

Uma quadrilha falsificava dinheiro havia dois anos quando, em março deste ano, uma operação da Polícia Federal (PF) prendeu o chefe do grupo e um comparsa em Ponta Porã (MS), com R$ 592 mil em notas falsas de R$ 20.

As cédulas eram produzidas na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero e seu principal destino era Brasília, onde distribuidores locais compravam três notas falsas com uma verdadeira.

O caso é uma exceção pelo porte da apreensão, mas, em menores quantidades, a circulação de dinheiro falso é bastante comum no país. Em 2007, até o final de outubro, a PF abriu mais de 5 mil inquéritos para crimes de produção e distribuição de moeda falsificada – em 2006, foram 6.809. O Banco Central (BC), por sua vez, recolheu R$ 17,6 milhões em dinheiro falso entre 1º de janeiro e 5 de novembro deste ano.

Ressarcimento

Qualquer agência bancária está habilitada a recolher dinheiro suspeito e enviá-lo para o BC para investigação, mas, caso seja confirmada a fraude, não há ressarcimento. Assim, a única solução para não ser vítima dos falsificadores é ficar atento. “Falsificação de dinheiro ocorre no mundo todo, e as pessoas têm de deixar de ficar constrangidas e verificar as cédulas no momento em que as recebem”, comenta o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, João Figueiredo. “Em 2005, fizemos uma pesquisa e descobrimos que 60% dos brasileiros não conferem as notas”. Figueiredo recomenda reservar algum tempo para observar com atenção as cédulas, familiarizando-se com suas características Do começo do ano até 5 de novembro, o BC havia recebido 458 mil cédulas falsas, das quais cerca de 70% eram de R$ 50. Portanto, ao receber uma cédula desse valor, a atenção deve ser redobrada. Mas, como explica Figueiredo, o único dinheiro que pode ser recebido sem maiores preocupações são as moedas, cujo valor de face é muito baixo para tornar a falsificação rentável. “Se chegaram mil moedas falsas ao BC neste ano, é muito. Não vale a pena, pois a produção é muito cara”, comenta.

Bancos

Segundo o BC, 80% do total do dinheiro falso recolhido no país é enviado ao órgão pelos bancos. Os funcionários das instituições bancárias são treinados para reconhecer cédulas suspeitas e tirá-las de circulação.

O superintendente de Comunicação Social da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), William Salazar, assegura ser pouco provável que uma nota falsa, na eventualidade de não ser notada pelo caixa da agência, passe despercebida pela tesouraria das instituições financeiras, na contagem feita no fim do expediente.

A possibilidade de se sacar uma nota falsa num caixa eletrônico, portanto, também seria reduzida. “Só se ela for trocada no momento em que o caixa é alimentado”, aponta Salazar. “Mas, em cinco anos na Febraban, só ouvi falar de dois casos como esse”. Se, contudo, uma cédula suspeita for sacada de uma máquina dentro de uma agência bancária, durante o expediente, o procedimento recomendado pelo BC é imprimir um extrato que comprove o saque, de preferência no mesmo terminal, e pedir providências ao gerente da agência.

Se ele não resolver o problema, o cliente deve procurar uma delegacia policial para registrar ocorrência. Se o saque for feito fora da agência ou do horário de expediente, o cliente deve procurar a polícia diretamente, munido de extrato. Boatos de que os bancos não tirariam dinheiro falso de circulação para evitar perdas são rejeitados pela Febraban e pelo BC. “Isso é uma calúnia”, responde Salazar. “É ridículo dizer isso, pois seria uma atividade criminosa que não interessa aos bancos”, corrobora Figueiredo, do BC.

Equipamento antifraude

Embora, segundo o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, uma análise a olho nu permita identificar notas falsificadas com grande precisão, existem no mercado equipamentos para fazê-lo com maior acuidade, com preços que variam de R$ 6,50 a R$ 1490.

A empresa Money Test, de Carapicuíba (SP), fabrica esse tipo de produto há sete anos. O modelo mais barato é a caneta com reagente que identifica o papel de segurança usado pela Casa da Moeda. Esse reagente, no entanto, não acusa notas falsificadas por meio da técnica de lavagem, em que cédulas verdadeiras de valor baixo são branqueadas quimicamente para reimpressão com valor maior.

Por outro lado, segundo o BC, essa prática está se tornando rara porque, apesar de se manter a marca d'água, que, de outra forma, é impossível de se reproduzir com equipamento comum, o resultado da impressão geralmente deixa a desejar. O modelo mais caro da empresa (R$ 1.490) é uma câmera com lente de aumento, que permite observar os detalhes de cédulas, cheques e documentos numa tela de cristal líquido. Segundo o fabricante, o grau de confiabilidade é de 100%.

Fonte: G1

domingo, 25 de novembro de 2007

Indústria ainda testa equipamentos e venderá aparelhos sem interatividade

Os conversores e televisores digitais encontrados nas lojas a partir da semana que vem virão sem interatividade plena -possibilidade de o espectador enviar informações às emissoras em testes ou escolhas do final de programas, por exemplo.

O coordenador do desenvolvimento do Ginga, software que permite a interatividade, Guido Lemos, da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), diz que as indústrias estão em fase de finalização e testes do software nos receptores, por isso não deve haver equipamentos completos no dia 2.

Segundo Lemos, o software está pronto, ao contrário do que dizem alguns fabricantes, mas é preciso fazer adaptações para produzir em escala industrial. "No momento, há pelo menos cinco empresas tentando desenvolver o Ginga no menor período possível."

Mesmo assim, ele acredita que vale a pena comprar o conversor incompleto -sem permitir o envio de informações entre telespectador e emissora. "Se eu morasse em São Paulo e tivesse condições financeiras, iria comprar o conversor."

A interatividade remota, que permite o acesso a informações enviadas pelas emissoras, como a escalação de um time que está jogando, estará disponível nesses primeiros aparelhos.

Mas para não ficar com um equipamento defasado, o coordenador de TV Digital da Universidade Mackenzie, Gunnar Bendicks, orienta o consumidor a se certificar de que há possibilidade de atualização do equipamento com o Ginga. No entanto, nenhum dos fabricantes consultados e que vai comercializar receptores ou TVs tem essa opção.

O vice-presidente de novos mercados da Samsung, Benjamin Sicsú, concorda que a falta de interatividade deve ficar clara para o consumidor. "Vem outro modelo com interatividade e o consumidor tem de saber disso."

Segundo Roberto Barbieri, diretor da Semp Toshiba, "até agora não está claro o hardware que será usado" para a interatividade plena, por isso os conversores da empresa não poderão ser atualizados.

Essa interação total também depende de um canal de comunicação com o telespectador, como internet ou telefone. Esse é outro dos entraves apontados pelos fabricantes para viabilizar a interatividade plena.

Lemos acredita que o uso dessa comunicação pelas emissoras vai impulsionar as vendas dos equipamentos: o consumidor verá mais diferenças entre as duas TVs e terá mais vontade de comprar a digital.

Para ele, o principal motivo de o preço dos conversores ficar tão acima da expectativa do governo, de R$ 200, é o pouco tempo para desenvolver tecnologia e testar os equipamentos. "Tem fabricante que não está lançando modelos porque não tem segurança na máquina."

Sicsú afirma que a indústria ainda está fazendo ajustes nos equipamentos. "Está todo mundo apanhando ainda."

Essa incerteza também teria levado a um conservadorismo da indústria no volume de equipamentos produzidos. "Alguns fabricantes finalizaram as caixas [conversores] e nem houve testes. Depois que isso ocorrer é que vão aumentar a produção", diz Lemos.

Segundo ele, "a previsão do ministro Hélio Costa [Comunicações] não é maluca: há possibilidade de o preço do conversor chegar a US$ 50 [R$ 90]", mas em quatro anos.

Sicsú aponta o pequeno número de fornecedores dos componentes dos conversores para o encarecimento do produto. "À medida que a produção aumentar, o custo será reduzido".

Fonte: Folha de S.Paulo

Conversor digital chega ao varejo na 2ª

Três fabricantes vão oferecer também a TV com o aparelho já embutido; especialistas indicam melhor opção para cada caso

Sinal digital começa a ser transmitido oficialmente no próximo dia 2, apenas na Grande SP, mas o analógico ainda permanece até 2016

Os primeiros aparelhos de TV já prontos para receber o sinal digital começam a chegar às lojas na próxima semana, às vésperas do lançamento da TV digital no Brasil, em 2 de dezembro, considerado o terceiro marco após o início das transmissões, em 1950, e da TV em cores, em 1972.

Só três fabricantes, entre as empresas consultadas pela Folha, confirmam a produção de aparelhos com os conversores digitais já embutidos. Também chegam ao varejo os conversores para permitir que as TVs já disponíveis no mercado recebam o sinal digital dentro do padrão japonês, o escolhido pelo governo federal após uma disputa com os padrões europeu e americano.

As transmissões digitais começarão pela Grande São Paulo. A previsão é que, até 2013, chegue a todos os municípios. Porém, o sinal analógico continuará a ser transmitido até 2016, por isso não há pressa para a troca ou adaptação dos aparelhos.

No entanto, quem optar pela migração terá imagem com qualidade de DVD, dizem especialistas, mesmo se não tiver uma TV de alta definição (com 1.080 linhas). "O limite de qualidade da imagem será as linhas da TV, mas a imagem será melhorada porque não haverá fantasmas", diz o coordenador do Laboratório de Vídeo Digital da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Guido Lemos.

É preciso lembrar que, para captar o sinal digital, será preciso ter uma antena UHF interna ou externa.

A Philips é o único fabricante, até agora, que vai oferecer TVs e conversores. Walter Duran, diretor de tecnologia da empresa para a América Latina, admite que os equipamentos estão caros, mas ressalta que "tem que iniciar a venda, gerar demanda, para baratear".

A Samsung optou por fabricar apenas as TVs. A diferença de preço entre um modelo semelhante da empresa e aquele com conversor embutido, de acordo com Benjamin Sicsú, vice-presidente da Samsung para Novos Negócios da América Latina, fica em torno de 15%. O diretor da Philips preferiu dizer apenas que a diferença seria "mais ou menos" o valor do conversor. A LG também terá TVs com conversores embutidos, mas não divulgou o preço.

Público-alvo

Esse custo alto de lançamento dos conversores vai determinar o público-alvo. "Quem comprará nesse primeiro momento serão os consumidores de tecnologia, que querem as novidades primeiro, e as pessoas que têm mais de uma TV em casa", diz Lemos.

A escolha do conversor com melhor custo/benefício para cada caso vai depender do tipo da televisão. A qualidade da imagem é definida pelo número de linhas, quanto mais linhas, maior a definição. Um conversor para TVs de 1.080 linhas, por exemplo, vai oferecer uma boa imagem se acoplado a um aparelho de 480 linhas, mas essa ligação não vai ser satisfatória na situação inversa.

Para Sicsú, quem tem TV de tubo "deve comprar um conversor exatamente no limite da TV que tem". Como a resolução desse aparelho é de 480 linhas, os conversores mais baratos alcançarão a qualidade de imagem máxima. "O que tiver a mais [de resolução] a TV não vai utilizar", ressaltou.

Já quem tem TV de LCD ou plasma deve "obrigatoriamente" comprar o conversor de 1.080 linhas, diz o coordenador de TV Digital da Universidade Mackenzie, Gunnar Bendicks. Esses aparelhos têm pelo menos 720 linhas de resolução, por isso precisam de conversores melhores para alcançar maior qualidade de imagem.

"O problema é saber se o consumidor vai querer pagar essa melhoria", questiona Sicsú. Para ele, "o preço do conversor vai cair", e o próximo passo das indústrias é lançar TVs menores, voltadas para a classe média.

Um dos representantes dos fabricantes consultados, que não quis se identificar, chegou a afirmar que não via vantagens em comprar logo uma TV com o conversor embutido porque quando a interatividade plena for possível, provavelmente no final do próximo ano, o televisor terá que ser novamente trocado para usufruir dessa interação.

Assim como os da Philips e da Positivo, os conversores da CCE (disponíveis só em 2008), da Gradiente e da Semp Toshiba serão compatíveis com televisores de todos os fabricantes, enquanto a Sony optou por produzir um aparelho que só pode ser conectado às TVs de uma de suas linhas (Bravia).

Na próxima semana, os fabricantes devem se reunir com o governo federal para discutir formas de baratear os conversores, o que deve acontecer com incentivos fiscais e o aumento da demanda.

A ameaça do presidente Lula de estimular a importação dos conversores, para forçar a redução, é considerada inócua pela indústria porque o Brasil escolheu um sistema tecnológico com especificidades que não existem em outros países.

O ministro Hélio Costa (Comunicações) já afirmou várias vezes que seria possível vender o aparelho por R$ 200.

Fonte: Folha de S.Paulo

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

10 coisas que você precisa saber sobre a TV Digital

A TV digital chegará em dezembro a São Paulo sem um dos seus principais atrativos: a interatividade. Sem a definição dos padrões do middleware, sistema operacional da televisão digital, a tendência é que a indústria lance apenas um conversor simples até o fim do ano.

Mas muita gente que ainda não sabe o que é a TV Digital. Veja abaixo 10 coisas que você precisa saber sobre antes de aderir ao novo sistema.

1. Afinal, o que é TV digital?

A TV digital proporciona imagem com maior definição (a resolução média da TV analógica é de 480 linhas, enquanto na digital é de 1.080 linhas) e cores mais vivas, além de som mais rico (a transmissão suporta até seis canais de som - Dolby Digital -, enquanto a analógica suporta somente dois - mono e estéreo).

O formato da imagem no sistema digital é widescreen (16:9), como a tela de cinema, diferente do padrão analógico (4:3). Enquanto no sistema analógico a emissora pode enviar apenas um programa por vez, no digital é possível enviar até seis programas simultaneamente, permitindo variar a programação ou oferecer uma experiência mais rica, como assistir um jogo a partir de câmeras diferentes.

Além disso, é possível receber informações junto com a programação, como detalhes do que aconteceu no último capítulo da novela, dados estatísticos em um jogo de futebol ou a sinopse de um filme. Por fim, é possível interagir com a programação, votando no time mais cotado para ganhar uma partida pelo controle remoto, por exemplo.

2. Eu vou ter de trocar a minha TV por uma nova?

Não. Você poderá adquirir um adaptador, conhecido como set-top box, que permitirá que a TV que você tem em casa receba o sinal digital. Qualquer televisor será compatível com o aparelho, desde que tenha entrada para DVD ou aparelho de videocassete. Porém, se você quiser assistir à TV digital em alta definição, que exige mais linhas de resolução, terá que adquirir um novo aparelho compatível com HDTV (High Definition Television).

3. Minha antena de TV vai para o lixo?

Não, o sistema brasileiro foi desenvolvido de forma a aproveitar as antenas externas e internas para a recepção do sinal, tanto as que recebem sinal em UHF, quanto as parabólicas, que operam na banda C.

4. Quando vai custar o set-top box?

O preço do set-top box para o consumidor hoje, segundo estimativa do LSI (Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), seria de cerca de 500 reais, com recursos de interatividade, compatibilidade com alta definição e suporte ao formato MPEG-4. Já segundo dados do CPqD, o custo médio de um conversor no Brasil hoje seria de 400 a 800 reais - de acordo com os recursos disponíveis em cada modelo -, mas poderia chegar a uma faixa de 300 a 700 até a data de início do funcionamento da TV digital no País.

5. Quais as vantagens de ter uma TV ou um adaptador para TV digital?

Nenhuma, a qualidade de imagem é a mesma. A única diferença é que a TV digital traz o adaptador embutido.

6. Acabei de comprar uma TV de plasma ou uma TV LCD. Elas estão prontas para a TV digital?

Não necessariamente. As TVs de LCD e plasma, em geral, possuem a definição mais adequada para a TV digital, o que significa que a imagem será melhor. Mas para receber o sinal digital será preciso adquirir o conversor ou set-top box. Além disso, para receber conteúdo em alta definição, o aparelho deve ser compatível com HDTV (High Definition Television), ou seja, trazer 1.080 linhas de resolução.

7. Vou poder assistir à TV digital no meu computador?

Sim, já está sendo desenvolvendo um chip que poderá ser acoplado ao desktop ou ao notebook para receber o sinal digital, com custo médio de 50 dólares (130 reais).

8. Vou poder assistir à TV digital no meu celular? Vai ser paga?

Tecnicamente sim e sem nenhum custo (pois a TV aberta é gratuita), mas o modelo de negócio ainda precisa ser definido e isso vai depender de decisões regulatórias do governo e do diálogo entre as indústrias de radiodifusão e telecomunicações.

9. Todos os canais disponíveis na TV aberta hoje vão estar disponíveis de imediato em sinal digital?

Não necessariamente. Para migrar para o sistema digital, as emissoras terão que investir na troca de equipamentos, portanto provavelmente as empresas com mais recursos migrarão primeiro.

10. Se eu não comprar o conversor, não vou mais poder assistir a TV aberta?

Você poderá assistir normalmente a programação aberta na sua TV atual, pois a previsão de tempo para migração do sistema analógico para o digital é de 10 anos. Até lá, as emissoras são obrigadas a manter a transmissão analógica.

domingo, 18 de novembro de 2007

Internautas têm em média 6,5 senhas

Hoje, são raras as operações - no trabalho, nas comunicação, com dinheiro, ou relacionamentos - realizadas com sucesso sem a senha certa para cada uma delas.

Conseqüência quase inevitável da digitalização da vida, cada usuário da rede possui em média 6,5 senhas e 25 contas que requerem essas senhas, segundo um estudo da Microsoft sobre hábitos na internet.

Outra pesquisa feita pela empresa americana de segurança tecnológica RSA relata que 36% dos funcionários de empresas têm de administrar entre seis e 15 senhas, e 82% deles se dizem frustrados por não conseguirem administrar direito esses códigos todos.

Pois atire a primeira tecla aquele que nunca perdeu a sua. A comunidade "esqueci minha senha de novo", criada pelo designer Roberto Carlos Zamariola, 37, no Orkut, tem cerca de 1.300 esquecidos que trocam dicas para evitar o problema.

"Não imaginava que tanta gente tinha o mesmo problema", diz Roberto.

O inferno são as senhas

E nas costas de quem esse exército do "deu branco" pode jogar a culpa? "O que faz crescer o uso das senhas, em um mundo centrado na internet, é a importância da informação, que pode valer mais do que o dinheiro. Assim como preciso de senha para acessar meu dinheiro no banco, preciso também de uma chave para minhas informações", diz o coordenador do curso de Ciência da Computação da PUC-SP, Daniel Couto Gatti, com "mais de 30 senhas" declaradas.

Nem a sumidade da memória no Brasil, o coordenador do Centro de Memória da PUC-RS, Iván Izquierdo, 70, escapa dessa maldição. Para ele, é impossível decorar seqüências aleatórias sem escrever, por isso prefere anotar os cerca de 40 códigos que precisa usar todos os dias. Quando isso não acontece, Izquierdo recorre sem pestanejar à ferramenta dos sites que devolvem ao usuário esquecido a informação perdida.

Segundo Paulo Bertolucci, professor de neurologia do comportamento da Unifesp, decorar é possível desde que sejam criadas estratégias que relacionem as senhas a informações conhecidas. "A memória é associativa. São poucas e invejáveis as pessoas que conseguem decorar longas séries de números ao acaso."

Esqueci a minha senha

Milhares de combinações que se perdem todos os dias. É difícil estimar quantas são, mas no call-center do provedor UOL, por exemplo, das 500 mil ligações mensais recebidas, de 35 mil a 50 mil são de usuários que perderam suas senhas.

No Terra, as ligações para troca de senhas somam 62 mil por mês, 12% do total de atendimentos. A maioria por esquecimento. Nos portais iG, iBest e Br Turbo, em setembro foram registradas 7.549 reclamações referentes a senhas e, em outubro, 5.317. Entre elas, 80% se resumiam ao "esqueci a minha senha".

Para evitar fundir a cuca com a profusão de sites, e-mails, aplicativos de computador e serviços bancários que exigem códigos de acesso, a maioria das pessoas constrói uma associação sentimental para a combinação numérica, acreditando que assim possa ser fácil lembrar.

Uma pesquisa da Universidade do Estado de Wichita (EUA) mostrou que 54,9% das pessoas usam palavras com significado pessoal, como os nomes de seus filhos, pets ou ruas, enquanto 49,8% usam números significativos como aniversários ou números de telefones.

Exatamente o contrário do que recomendam os especialistas. "Por "forte", entende-se uma senha que não tenha relação direta com os dados da pessoa: idade, nascimento, nome de trás para frente e outras coisas meio bobas assim", afirma Demi Getschko, professor do curso de Ciência da Computação da PUC-SP.

Pena que as senhas consideradas fortes ou seguras são também as mais difíceis de decorar. As melhores seriam aquelas formadas por números, letras e sinais escolhidos aleatoriamente. Nos bancos, como as senhas eram limitadas a números, foram criadas novas formas de proteção, como os cartões com chaves de segurança e os chaveirinhos de senhas, os tokens (dispositivo eletrônico que gera novas combinações de senhas em questão de segundos).

Mesmo com toda a precaução, às vezes é impossível evitar uma invasão. A atriz Leandra Leal, 25, cuida para não criar senhas óbvias ("não uso data de aniversário") e não acessa computadores públicos. Ainda assim, há dois anos recebeu uma ligação do banco querendo saber se estava fazendo a limpa na própria conta. "Rolou um vírus no meu computador. E então eles descobriram um hacker, que deve ter roubado minhas senhas, e estava rapando a minha conta."

Infância eletrônica

Se proteger o computador não é tão fácil, decorar é mole para Leandra, assim como para o colega Caco Ciocler, 33, que acha mais simples gravar números do os que textos da novela. O ator, ex-estudante de engenharia, tem até uma regrinha para guardar senhas.

"Faço uma matemática. Escolho uma data e em um número somo tanto, no outro multiplico outro tanto... É quase uma equação." A cabeça boa só não funciona na hora de decorar nomes ou as histórias dos filmes que acabou de ver. "Gasto tanto espaço com senhas e números que não sobra para o resto."

Na prática não é bem assim. Para quem acha que tanta informação não vai caber no cérebro, é preciso entender que há vários tipos de memória. Há uma memória de trabalho, que guarda informações por poucos segundos. A de curta duração fica por cerca de seis horas e a de longa duração pode durar décadas. Há também memórias que desaparecem por falta de utilização.

As informações que recebemos através dos sentidos são armazenadas em redes formadas por neurônios de diferentes regiões do cérebro. Cada rede corresponde a uma memória. E a capacidade de combinação entre essas conexões é infinita.

Ao mesmo tempo, é possível dizer que a memória ocupa espaço, pois há um número limitado de circuitos neuronais disponíveis. Ou seja, o cérebro precisa perder informações para ganhar outras.

Abre-te sésamo do mundo moderno, as senhas ainda devem fazer parte (chata) de nossas vidas por muito tempo. A biometria (controle de acesso por características físicas como impressão digital ou íris) ainda é um futuro distante, dizem os especialistas.

"Estamos na idade da pedra digital e as senhas são fruto da nossa infância eletrônica", decreta o professor Wilson Vicente Ruggiero, diretor do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores da USP. Por um bom tempo, então, códigos pessoais serão objeto de desejo tanto de hackers como de namoradas e namorados ciumentos.

Gabriela de Araújo, 11, acaba de trocar a senha do Orkut, que uma amiga descobriu "pra ficar bagunçando". Agora, digita as senhas com uma mão enquanto tapa o segredo com a outra.

Tem medo de ter a senha seqüestrada de novo, mas ela mesma já tentou roubar a do irmão "pra saber se ele tá namorando".

À turma de Gabriela, vítima de gaiatos tecnológicos, podem cair bem as recomendações lançadas pela Universidade de Michigan, nos EUA, que indica aos seus estudantes um mandamento básico para manter o que se deseja - conta bancária ou vida amorosa - em sigilo.

"Trate as senhas como a sua roupa de baixo: não empreste para os amigos, não deixe largada por aí e troque sempre que possível."

Fonte: Adriana Küchler da Revista da Folha / Colaborou Gustavo Fioratti

Números de cartões de crédito e contas bancárias são principais informações à venda na Web

Números de cartões de crédito e de contas bancárias são as principáis informações à venda em servidores informais, usados por criminosos e para vender dados roubados. Eles respondem, respectivamente, por 22% e 21% do total e são comercializados por valores que vão de US$0,50 a US$ 5, no caso de cartões de crédito, e US$ 30 e US$ 400, para contas bancárias.

As informações são parte de uma pesquisa da empresa de segurança Symantec, que apurou dados durante o primeiro semestre deste ano.

Outras informações vendidas no mercado ilegal são senhas e endereços de e-mail, número de seguro social e proxies, por exemplo. Na primeira metade deste ano, de acordo com a Symantec, havia anúncios de 8.011 cartões de crédito para troca em servidores informais, 85% deles tinham sido emitidos por bancos nos Estados Unidos.

Os EUA foram o principal país em número de servidores informais no período, respondendo por 64% do total. Em segundo lugar aparece a Alemanha, com 12%, e em terceiro a Suécia, com 9%.

Fonte: WNews

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

As 10 maiores gafes tecnológicas

Empresas e personalidades do mundo de TI não estão imunes a vexames públicos.

Acompanhe 10 momentos selecionados pela CW americana entre esses episódios constrangedores

Todos nós já passamos por momentos dolorosamente constrangedores. Falamos algo impróprio em voz alta em uma festa e, de repente, a sala inteira fica em silêncio e nos encara. Ou abotoamos a camisa de forma errada e levamos metade do dia para descobrir por que as pessoas estão olhando e achando graça. Coisas deste tipo.

Para a maioria de nós, estes momentos mortificantes passam rápido. Mas, quando eles ocorrem no mundo inexoravelmente conectado da tecnologia, se espalham pela internet como um resfriado que se recusa a ir embora.

Conheça os nossos candidatos (sem uma ordem específica) aos 10 momentos mais mortificantes da história da tecnologia. Não se tratam de decisões de negócio erradas, nem de lançamentos de produtos de má qualidade.

Mais exatamente, são incidentes em que um constrangimento profundo de pessoas ou empresas estava – ou deveria estar – na ordem do dia. Momentos em que o mundo da tecnologia pára e olha.

E os indicados são...

Vamos iniciar nossa lista com os momentos mortificantes da Microsoft. Por onde começar?

Houve a época em que Bill Gates fez tanta confusão no julgamento antitruste do Departamento de Justiça versus Microsoft que o juiz até riu. E também o dia em que Gates, ao demonstrar o Windows Media Center, não conseguiu fazer um controle remoto funcionar enquanto Conan O'Brien dava explicações.

Que tal a foto de um Bill muito jovem recostado em um monitor com um olhar lânguido? Para nossa competição, porém, aqui vão os três momentos mais constrangedores da Microsoft:

1. Bill Gates vê a tela azul da morte

O Windows 95 tinha uma interface bem mais agradável do que seu predecessor, o Windows 3.1, mas não era muito rico em recursos, nem muito estável. A Microsoft prometeu que o Windows 98 seria muito mais sólido.

Porém, deveríamos ter percebido o que o futuro reservava a este sistema operacional quando a apresentação de Gates na Comdex Spring, em 1998, foi seriamente comprometida, resultando em uma tela azul da morte (Blue Screen of Death - BSOD) pública.

2. Monkey Boy enlouquece

Bill Gates pode ser o visionário por trás da Microsoft, mas o CEO Steve Ballmer há muito tempo é o terno por trás desta visão. O que deu neste bilionário para subir no palco e dançar feito um macaco em um encontro para funcionários em 2001?

Estaria tentando mostrar que era mais engraçado do que Steve Jobs? Oi foi o estresse do trabalho? Estaria freqüentando alguma seita? Talvez nunca venhamos saber.

3. O Vista tem problemas de reconhecimento de fala

Bill Gates previu que um dia o reconhecimento de fala se igualaria ao uso do teclado como técnica de entrada de dados. Mas tudo indica que ainda temos um longo caminho a percorrer. Raras vezes a tecnologia esteve em situação tão ruim quanto na apresentação tenebrosa da funcionalidade de reconhecimento de fala do Windows Vista em 2006, quando praticamente cada palavra dita por um executivo da Microsoft apareceu errada na tela.

Gates e companhia exageraram na dose de erros constrangedores, mas vamos parar de criticar a Microsoft. Para sermos justos, muitas outras empresas também fizeram demonstrações desastrosas, incluindo a ultramoderna Apple e seu líder Steve Jobs. E as demonstrações são só o começo – há muitos outros momentos extremamente embaraçosos na arena da tecnologia, como mostra o resto da nossa lista.


4. Executivo da IBM infla currículo

O mandato de Jeff Papows como diretor da divisão de desenvolvimento Lotus da IBM foi bem-sucedido da perspectiva do negócio, mas em 1999 descobriu-se que ele tinha falsificado seu currículo e feito declarações nada confiáveis a colegas de trabalho ao longo dos anos. Ao invés de fuzileiro naval e heróico piloto de combate, foi controlador de tráfego aéreo assistente. Ao invés de Ph.D. de uma prestigiosa universidade, graduou-se através de uma escola por correspondência. E nem era órfão, no final das contas.

Papows não se deixou constranger publicamente, alegando que os erros não passavam de fofoca de corredor que tinha assumido vida própria. E a IBM também não se mostrou particularmente mortificada, permitindo que Papows permanecesse no cargo até sair em 2000 para comandar uma start-up na internet.

5. Faturas do iPhone matam árvores

Se o iPhone tivesse sido lançado há alguns milhares de anos, teria entrado na capital do país em uma liteira e as pessoas ao longo do caminho teriam se prostrado diante dele.

Felizmente para quem se rebela contra este tipo de pompa, a Apple também passou por momentos constrangedores, como quando eliminou o modelo de 4GB e baixou o preço do modelo de 8GB em 200 dólares apenas dois meses depois que os celulares tinham sido lançados. Até mesmo seus jovens e ardentes fãs empregaram um linguajar tão surpreendentemente ácido que a Apple concordou em dar aos usuários pioneiros um crédito de 100 dólares.

Mas o momento mais embaraçoso do iPhone pode ser creditado à AT&T, operadora de telefonia móvel norte-americana com quem a Apple assinou contrato. Em agosto último, por causa do processo de faturamento extraordinariamente detalhado da empresa, alguns usuários receberam contas com dezenas ou até centenas de páginas, como mostrou o vídeo da blogueira Justine Ezarik abrindo uma conta de 300 páginas. (Veio em uma caixa.)

Sem de fato admitir o constrangimento, a AT&T disse que começaria e enviar contas mais enxutas aos usuários do iPhone.

6. Jovem burla filtro antipornografia

Obviamente, é uma boa idéia proteger nossas crianças da pornografia e de outros elementos desagradáveis encontrados na internet. Quem poderia criticar o governo australiano pelo projeto de fornecer um filtro antipornografia aos pais?

O problema foi que o software, disponibilizado em agosto deste ano, custou 84 milhões de dólares australianos e um adolescente de 16 anos residente em Melbourne, Tom Wood, desativou-o em cerca de 30 minutos. Avaliação do jovem Tom: “Foi um terrível desperdício de dinheiro”.

Uma autoridade federal replicou que o governo sabia o tempo todo que algum jovem acabaria burlando o sistema e que “investigar o problema é prioridade para o fornecedor”.

7. Sony viola PCs de clientes

Os céticos vão dizer que a indústria fonográfica é paranóica e está demorando a entrar na era digital. A indústria insiste que apenas tenta garantir que seus artistas sejam devidamente remunerados.

A Sony BMG, porém, deu uma demonstração clara de paranóia em 2005 quando, em nome da proteção contra cópia, inseriu software rootkit invasor em estimados 15 milhões de CDs de música de mais de 100 artistas.

Quando o usuário colocava o CD no drive do PC, o software era instalado automaticamente no computador sem seu conhecimento. Este sistema podia até proteger contra cópia, mas também deixava o computador vulnerável a diversos tipos de spyware, malware e outros aborrecimentos.

Muitos usuários e estados norte-americanos processaram a Sony, que desembolsou uma boa soma para liquidar a questão. Mas a empresa não se mostrou muito constrangida – repetiu a façanha recentemente, desta vez inserindo rootkits em drives USB que estava vendendo.

8. Repórter de tecnologia mostra demais

Muitos de nós já tivemos o pesadelo de ficarmos nus em público. Quando isso acontece com alguém, a única coisa a fazer é lamentar, como aconteceu, de certa forma, com a repórter Cat Schwartz, da TechTV, em 2003.

O detalhe importante da história é que Schwartz pediu a um fotógrafo que tirasse fotos provocantes dela. As fotos foram feitas quando estava sem blusa e sem sutiã. Schwartz fez cortes para que as fotos ficassem mais discretas e postou-as na internet.

Mas o problema foi que Schwartz não percebeu que o Photoshop, ou talvez a própria câmera, incluiu a imagem original como um preview visível da imagem cortada. Este erro se espalhou pela web rapidamente, dando a Cat Schwartz 15 minutos adicionais de fama ou, pelo menos, de vergonha.

9. Prole da Agência de Segurança Nacional prejudica internet

Vamos dar uma volta pela Rua da Lembrança, 1988. Nesta época, as ameaças à segurança começavam a se tornar conhecidas, mas ainda não havíamos atingido nosso estágio hiper-vigilante atual. Foi quando um aluno da Universidade de Cornell, Robert Morris, Jr., liberou o que muitos consideraram o primeiro grande worm a se disseminar via internet. De acordo com Morris, foi um exercício relativamente inocente.

O chamado worm Morris derrubou boa parte da internet. Nestes tempos, a internet era uma rede relativamente pequena e ainda bastante restrita a acadêmicos e militares, por isso o worm não provocou tanto estrago quanto provocaria hoje. Mesmo assim, causou um prejuízo estimado de 15 milhões de dólares. Morris pediu desculpas por liberar o worm, foi condenado e recebeu sursis.

Agora, a parte verdadeiramente constrangedora: o pai de Morris, Robert Sr., era um conhecido e conceituado especialista em segurança da Agência de Segurança Nacional. Mas, apesar de ter ficado visivelmente constrangido na ocasião, o pai de Morris deve ter sentido orgulho do seu descendente, que agora é professor do MIT.

10. Quase todo mundo dá uma polida nos seus textos na Wikipedia

O que a Microsoft, o Vaticano, o FBI, a Al Jazeera, a Exxon Mobil e a Amnesty International têm em comum? Estas e muitas outras organizações conhecidas foram responsabilizadas por alterar entradas na Wikipedia que não as favoreciam.

A prática foi descoberta no início do ano graças ao programa WikiScanner, desenvolvido por Virgil Griffith, estudante de pós-graduação do California Institute of Technology (CalTech). O WikiScanner é capaz de detectar as origens de alterações feitas na enciclopédia online editada por usuários. O programa descobriu que muitas pessoas e organizações editam a Wikipedia de acordo com sua conveniência. Neste caso, há muito motivo para constrangimento.

Em MaltaStar.com existe uma boa lista de quem mudou o quê. A Wired também mantém uma lista contínua de edições, que conta com a colaboração de usuários.

Fonte: David Haskin-Computerworld, EUA